De Volta Para o Futuro: A Evolução do Básico A32 5G ao Desconto Inédito do Galaxy S26 Ultra

Quando a gente olha para o mercado atual de smartphones, é quase um exercício obrigatório traçar um paralelo de como a tecnologia mobile evoluiu e, ao mesmo tempo, manteve algumas de suas raízes intocadas. Pega o Galaxy A32 5G, por exemplo, lançado no comecinho de 2021. Naquela época, a Samsung entregava um aparelho de 205 gramas e 9.1 milímetros de espessura rodando o Android 11 sob a interface One UI 3.0. A proposta era bem clara: popularizar a rede 5G com taxas de download teóricas batendo a casa dos 2770 Mbps sem que você precisasse vender um rim.

A ficha técnica dele era o clássico pau pra toda obra. O coração do aparelho era um chipset MediaTek Dimensity 720 de 64 bits (com dois núcleos Cortex-A76 e seis Cortex-A55, todos a 2.0 GHz), pareado com uma GPU Mali-G57 MC3 e 4 GB de memória RAM — embora a linha permitisse até 8 GB de RAM em algumas versões, sempre com 128 GB de armazenamento expansível via cartão Micro SD até 1 TB. O painel frontal contava com uma tela IPS LCD de 6.5 polegadas, com uma resolução modesta de 720 x 1600 pixels, entregando 270 ppi, taxa de atualização de 60 Hz, 16 milhões de cores e proteção Gorilla Glass 3.

Mesmo sendo de entrada, o A32 5G já mostrava os dentes com um conjunto quádruplo de câmeras. O sensor principal de 48 MP (abertura f/1.8) vinha acompanhado de uma ultrawide de 8 MP e lentes auxiliares de 5 MP e 2 MP, conseguindo gravar vídeos em 4K a 30 fps com estabilização digital e foco automático. A frontal, de 13 MP (f/2.2), dava conta do recado com detecção facial e suporte a HDR. A parte de conectividade era super redondinha: Wi-Fi ac (Wi-Fi Direct), Bluetooth 5.0, NFC, porta USB Type-C 2.0 e um GPS recheado de suporte (GLONASS, BeiDou, Galileo). Ele era um Dual SIM (Nano) em stand-by, oferecia leitor de impressões digitais, giroscópio, bússola e até microfone de redução de ruído. E tudo isso era mantido vivo por uma bateria LiPo de 5000 mAh.

Avançando para os dias de hoje em 2026, o cenário é completamente outro. O próprio TM Roh, co-CEO da Samsung, deixou claro recentemente que a empresa desencanou de perseguir apenas números brutos nas fichas técnicas, preferindo focar num hardware que sirva de base sólida para um software mais inteligente. E o recém-chegado Galaxy S26 Ultra, anunciado em 25 de fevereiro durante o Galaxy Unpacked, é a personificação dessa nova fase. Curiosamente, o atual peso-pesado da marca acaba de sofrer seu corte de preço mais agressivo desde que chegou às lojas em março.

O modelo de 256GB despencou para US$ 1.099 na Amazon, na Best Buy e no site da própria Samsung — um desconto limpo e direto de US$ 200 em cima do valor de varejo, sem a tradicional exigência de entregar seu celular usado como entrada. Antes disso, para conseguir economizar, você era obrigado a passar seu aparelho velho pra frente brigando por até US$ 720 de crédito de troca. Se você for na Amazon hoje, a versão na cor preta cai ainda mais, batendo os US$ 1.079 a depender do estoque. A ironia e a genialidade da oferta moram no timing: estamos a exatamente uma semana do Amazon Prime Day 2026, que vai rolar entre 23 e 26 de junho. O mercado colocou o consumidor numa posição inusitada, oferecendo o melhor preço livre de amarras para o carro-chefe da empresa logo antes do principal evento de ofertas do verão começar.

E o buraco é mais embaixo porque essa movimentação de preços não se limita à Amazon. A Samsung ativou um crédito instantâneo de US$ 200 no próprio site (válido do dia 8 de junho até 21 de junho ou durarem os estoques), e a Best Buy acompanhou a oferta tanto para versões desbloqueadas quanto para as atreladas às operadoras. Quem puxar o gatilho pela loja da Samsung ou Best Buy ainda sai de lá com dois acessórios de brinde à sua escolha. A lista de mimos inclui um carregador GaN de 65W, capinha protetora, película de vidro temperado ou um suporte de mesa para o celular. A Amazon não oferece nenhum pacote de acessórios parecido nesse momento.

O que realmente separa o S26 Ultra de tudo o que veio antes dele é o Privacy Display. Esqueça qualquer película de privacidade paralela vendida em camelô; o S26 Ultra ostenta a primeira tela de privacidade do mundo integrada diretamente ao hardware de um smartphone, e isso é exclusividade da versão Ultra. O negócio roda num painel OLED customizado, criado pela Samsung Display, usando uma tecnologia que eles chamaram de Flex Magic Pixel (FMP). A tela possui dois tipos de pixels: os Largos e os Estreitos. Em condições normais, todo mundo trabalha junto, espalhando a luz e deixando o visor visível de qualquer ângulo. Mas quando você ativa o Modo Privacidade, os pixels Largos diminuem o brilho para quase zero e os Estreitos disparam a imagem apenas em linha reta. Para quem está na frente do aparelho, as cores continuam vivas. Para o abelhudo tentando espiar pelo lado num trem lotado ou saguão de aeroporto, a tela fica praticamente ilegível.

Essa bruxaria visual roda sobre a arquitetura LEAD 2 da Samsung — um design OLED sem filtro polarizador que foi projetado durante cinco anos para garantir que o brilho e as cores não distorçam quando a privacidade for ativada. Como isso depende de componentes físicos na fabricação do display, é impossível que as versões padrão do S26, do S26 Plus ou modelos de gerações antigas recebam o recurso via atualização de software.

Nas entranhas, o S26 Ultra é empurrado pelo processador Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5, feito em 3nm. O feito histórico desse chip é finalmente ter alcançado o mesmo nível de desempenho em single-core dos processadores da Apple, um tabu que nenhum processador da família Galaxy tinha quebrado até então. Para quem curte fotografia, o módulo de câmeras lidera com o absurdo sensor de 200 MP, ladeado por uma ultrawide de 50 MP e um sistema duplo de lentes teleobjetivas. Em vídeos, a novidade é a introdução do APV, um codec intra-frame feito sob medida para edição de nível profissional, batendo de frente com o ProRes da maçã. A famosa canetinha S Pen também marca presença no chassi do aparelho, que teve seu carregamento via cabo turbinado de 45W para 60W.

Aí a gente volta a falar daquele humilde Galaxy A32 5G do início do texto. Sabe a bateria LiPo de 5000 mAh que ele tinha lá em 2021? Pois é, o gigantesco S26 Ultra manteve exatamente a mesma capacidade. Veículos especializados como o PhoneArena deram uma nota 8.1 de 10 para o novo Ultra. Eles elogiaram demais o Privacy Display e o avanço no carregamento, mas deram uma alfinetada sincera no fato de a bateria continuar estagnada nos 5000 mAh — uma sequência que agora atinge sua sétima geração — estimando um tempo de tela de cerca de 7 horas e 35 minutos, número inferior ao alcançado pelo iPhone 17 Pro Max. A galera do Digital Trends, após quatro meses usando o aparelho de perto, foi na mesma linha: o S26 Ultra continua sendo a máquina a ser batida por usuários pesados, mas taxou como “bizarra” a ausência de um carregador magnético nativo em um equipamento dessa categoria de preço, além de apontar que não houveram grandes saltos na qualidade dos sensores de câmera em relação ao S25 Ultra.

No fim das contas, a decisão de comprar agora ou segurar a ansiedade até o Prime Day fica no ar. Analistas cravam que a Amazon deve forçar o preço do S26 base para a casa dos US$ 759 e aplicar mais cortes na linha. Porém, nada garante que o todo-poderoso S26 Ultra vá afundar ainda mais do que o patamar atual de US$ 1.099. O que está posto na mesa hoje já é o menor valor direto registrado desde o lançamento, e talvez esperar demais seja apenas correr o risco de ver os estoques sumirem da prateleira.