Entre o vai ou racha da Nvidia, o IPO da SpaceX e a investida estatal da OpenAI: o termômetro do mercado tech

A segunda-feira começou com o mercado de tecnologia operando em baixa, naquele clássico clima de suspense que antecede os grandes movimentos de Wall Street. O grande catalisador dessa ansiedade é o próximo balanço trimestral da Nvidia, a gigante que hoje rompeu a barreira dos 5 trilhões de dólares em valor de mercado.

Os holofotes sobre a empresa aumentaram consideravelmente após a viagem do CEO Jensen Huang à China acompanhando o presidente Donald Trump. Havia uma forte expectativa de que o presidente chinês, Xi Jinping, cedesse espaço para a importação de mais chips da Nvidia, mas o próprio Trump trouxe o mercado de volta à realidade ao declarar que Pequim está firmemente focada no desenvolvimento de seus próprios processadores de inteligência artificial. Para injetar ainda mais adrenalina no setor, a Cerebras — concorrente direta da Nvidia — viu suas ações dispararem 68% em sua estreia na bolsa na última quinta-feira, acendendo o sinal verde para uma iminente onda de IPOs de empresas de IA este ano.

Bastidores expostos e a pressa de Elon Musk

Enquanto o mercado financeiro faz as contas, o bicho está pegando nos tribunais. Jurados começam a deliberar nesta segunda-feira sobre o processo movido por Elon Musk contra a OpenAI, logo após as alegações finais dos advogados na última quinta. A disputa judicial contra uma das startups mais valiosas do planeta acabou lavando muita roupa suja, revelando detalhes íntimos das engrenagens da empresa e a complexa teia de relacionamentos que envolve Sam Altman, Greg Brockman, a ex-CTO Mira Murati e Shivon Zilis — ex-membro do conselho e mãe de quatro filhos de Musk.

Mesmo com a cabeça dividida entre os tribunais e as polêmicas, Musk parece determinado a não perder o timing do mercado financeiro em seus outros negócios. A SpaceX está avançando a passos largos rumo à abertura de capital e decidiu fazer um desdobramento de ações (stock split) de 5 para 1, um movimento estratégico para baratear o preço nominal do papel e torná-lo irresistível antes da estreia na Nasdaq.

Aos acionistas, a empresa informou que o valor justo de mercado por ação foi ajustado de US$ 526,59 para cerca de US$ 105,32 em decorrência do split, processo que deve ser totalmente concluído até o dia 22 de maio. Se os rumores se confirmarem, a precificação do IPO deve acontecer já no dia 11 de junho, com as ações começando a ser negociadas oficialmente no dia seguinte.

A estratégia geopolítica da OpenAI

Do outro lado do ringue, a OpenAI não está limitada a se defender nos tribunais; ela está expandindo seus tentáculos diretamente para o nível estatal. Em uma parceria inédita entre uma empresa de inteligência artificial e um governo soberano, a criadora do ChatGPT fechou um acordo para oferecer o ChatGPT Plus de graça para todos os cidadãos e residentes de Malta, inclusive os que moram no exterior.

A iniciativa, batizada de “AI for All”, começou sua primeira fase em maio e exige que o usuário tenha uma identidade digital europeia (eID) válida. Para desbloquear um ano de acesso gratuito à assinatura — que custa cerca de 20 dólares mensais nos Estados Unidos —, o morador precisa concluir um curso básico introdutório que ensina a aplicar a IA na rotina doméstica e no trabalho. Toda a operação está sob o guarda-chuva da Autoridade de Inovação Digital de Malta, e os custos reais desse arranjo financeiro continuam guardados a sete chaves por ambas as partes.

George Osborne, que lidera a divisão focada em parcerias governamentais da OpenAI, chegou a usar o termo “serviço público essencial” para definir o papel da IA no atual cenário global, indicando que a empresa quer usar a ilha de 574 mil habitantes como um laboratório para futuros projetos de escala nacional.

Malta já tem fama de adotar legislações pioneiras para tecnologias emergentes, como fez no passado com blockchain e ativos digitais. A jogada da OpenAI segue o rastro de um acordo anterior firmado com a Grécia em setembro de 2025 para levar ferramentas de IA para o ensino secundário e startups. A dúvida que fica no ar é se essa distribuição massiva de tecnologia vai de fato impulsionar a produtividade real de um país ou se vai apenas consolidar o monopólio e a dependência tecnológica antes mesmo que as sociedades entendam o real impacto dessas ferramentas.