A Nissan entre a tradição e o futuro: dos clássicos consagrados à nova era elétrica

A Nissan, consolidada como uma das maiores fabricantes automotivas globais, construiu sua reputação equilibrando confiabilidade mecânica com um estilo inconfundível. Seja através de SUVs, picapes robustas ou modelos focados em eficiência, a estratégia da montadora japonesa sempre visou atender a um espectro amplo de consumidores, unindo praticidade e economia. No entanto, para entender para onde a marca está indo, é fundamental olhar para os pilares que sustentaram seu sucesso até hoje e como eles abrem caminho para inovações radicais.

O eterno Godzilla e a performance pura

Poucos veículos no mundo carregam a mística do Nissan GT-R. A lenda começou no final de 1968, com a estreia no Salão do Automóvel de Tóquio, chegando às ruas em fevereiro do ano seguinte. Mais do que um esportivo, o modelo tornou-se um ícone cultural que desafiava os limites da engenharia de sua época. Originalmente equipado com um motor 2.0 de seis cilindros em linha e 162 cavalos, o carro evoluiu para se tornar o “Godzilla”, apelido que reflete seu domínio absoluto nas pistas e sua presença intimidante.

Consagrado mundialmente pela franquia de filmes “Velozes e Furiosos”, onde foi eternizado pelo personagem de Paul Walker, o GT-R atingiu o ápice com a versão Z-Tune, uma modificação de fábrica baseada na geração R34 que extraía 500 cavalos de potência. No mercado brasileiro, o modelo teve uma passagem marcante: disponibilizado sob encomenda a partir de 2016 por cerca de R$ 800 mil e equipado com um motor V6 3.8 de 572 cavalos, ele foi comercializado até 2021. Mesmo fora do Brasil, a lenda continua viva no Japão, onde a Nissan surpreendeu em 2024 ao lançar novas edições especiais, mantendo o GT-R como o único carro de passeio japonês a superar a barreira dos 500 cavalos atualmente.

A evolução do sedan médio

Enquanto o GT-R cuidava da imagem de performance, o Sentra consolidava a presença da marca nas garagens das famílias. Produzido no Japão desde 1982, o sedan médio passou por diversas configurações de carroceria e nomes ao redor do globo, sendo conhecido como Sunny, Tsuru ou Sylphy dependendo do mercado. No Brasil, sua história começou tardiamente em 2004, já em sua quinta geração, trazendo um motor 1.8 de 126 cavalos na versão GXE.

Com o passar dos anos, o Sentra deixou de ser apenas uma opção racional para se tornar uma referência em conforto. Em março de 2023, a montadora apresentou a oitava geração ao consumidor brasileiro. Com preços partindo de R$ 148,49 mil, o novo modelo aposta pesado em tecnologia embarcada e segurança, buscando reafirmar a qualidade de construção japonesa em um segmento cada vez mais competitivo.

Raízes brasileiras e força bruta

Talvez nenhum outro veículo simbolize tanto a conexão da Nissan com o Brasil quanto a Frontier. A picape média, que desembarcou por aqui em 1993 ainda como D21, foi a pioneira na produção local da marca. Em 2002, a fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, começou a montar a Frontier nacional, oferecida inicialmente com um motor turbodiesel 2.5 que entregava 104 cavalos e quase 30 kgf.m de torque.

A robustez do modelo garantiu um crescimento vertiginoso nas vendas, chegando a registrar um aumento de 130% no primeiro semestre de 2008. Ao longo das décadas, a picape sofreu diversas atualizações, culminando na renovação visual de 2022, mantendo-se como uma peça-chave no portfólio da empresa.

O salto para a eletrificação: NX8 redefine o segmento

Se o passado da Nissan é glorioso, o futuro promete ser revolucionário. Deixando para trás os paradigmas dos motores a combustão tradicionais, a marca revelou na China, através de sua joint venture Dongfeng Nissan, o novo NX8. Este SUV elétrico de médio a grande porte não apenas expande a linha, mas faz modelos atuais como o Rogue parecerem obsoletos diante de tanta tecnologia.

Com dimensões generosas — 4,87 metros de comprimento e quase 3 metros de entre-eixos — o NX8 supera em tamanho tanto o Rogue quanto o elétrico Ariya. Ele é o primeiro SUV da marca a utilizar as plataformas avançadas da Dongfeng, que integram controle veicular e sistemas inteligentes de última geração. O modelo se destaca por ser o primeiro SUV elétrico de uma marca estrangeira na China a adotar uma plataforma de 800V com carregamento ultrarrápido 5C.

A versatilidade é o ponto forte do conjunto mecânico, que será oferecido em duas configurações. A versão puramente elétrica (EV) virá equipada com uma nova bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) da CATL, prometendo uma autonomia de até 650 km. Já a versão com extensor de alcance (EREV) combinará um motor elétrico de 241 cv com um motor a gasolina 1.5 turbo, garantindo 185 km apenas no modo elétrico antes que o gerador a combustão entre em ação.

Tecnologia e perspectivas de mercado

O interior do NX8 abraça o minimalismo moderno, destacando-se por uma tela dupla de infoentretenimento e um Head-Up Display (HUD) avançado. A segurança e a condução autônoma também sobem de nível com a inclusão de um LiDAR montado no teto, permitindo navegação no piloto automático (NOA) tanto em rodovias quanto em ambientes urbanos, além de assistência inteligente de estacionamento para todos os cenários.

Previsto para ser lançado na China no primeiro semestre de 2026, o NX8 tem um posicionamento de preço agressivo, estimado em torno de 140.000 yuans (aproximadamente 20 mil dólares), o que o torna extremamente competitivo. Embora a estreia seja asiática, a expectativa é que a Nissan exporte este “super SUV” para mercados como Tailândia, Austrália e outras regiões, sinalizando que a inovação vista no NX8 em breve poderá ser o novo padrão global da marca.